KL Jay: Educação e cultura são caminhos para combater o genocídio

Foto: Mariana Caires / Thiago Borges (Periferia em Movimento)

Foto: Mariana Caires / Thiago Borges (Periferia em Movimento)

O Brasil-Colônia teoricamente chegou ao fim em 1822, mas na prática se mantém até hoje em um sociedade cuja mentalidade é escravocrata, com poucos ricos e muitos pobres. Leis antigas que favorecem a corrupção e a influência da religião, que faz com que as pessoas gostem de ser pobres, colaboram para isso.
Esse é o pano de fundo que KL Jay, o DJ dos Racionais MCs, traça para explicar por que o genocídio da juventude – sobretudo preta, pobre e periférica – é um problema distante de ser resolvido.
“Pra falar do genocído, que tá na superfície, é preciso cavar fundo. Tem que ir no fundo do mar”, aponta, em entrevista ao Periferia em Movimento e à produtora OCA – Agência de Criatividade após o show dos Racionais MCs no festival Hip Hop Conectando Quebradas, promovido no domingo (08/11) pela produtora social cultural A Banca no Jardim São Luís, zona sul de São Paulo.
Com a proposta de discutir o genocídio da juventude, o festival contou com diversas apresentações musicais e um público de mais de 5 mil pessoas. Leia a cobertura completa aqui.
“Falta tudo. E as pessoas vão fazendo mais filhos. O cara some, a mina cria o filho sem pai, e para esse moleque entrar depois na criminalidade é muito fácil, porque todo mundo quer ter destaque”, lembra KL Jay, que não tem resposta para o combate ao genocídio mas aponta a educação e a cultura como alguns dos caminhos possíveis. “Tem um monte de talento por aí, espalhado, que não nem sabe que tem esse talento”.
“Uma coisa que tá nítido que os Racionais conseguiram foi a autoestima do pobre e do preto, de poder ir pro mundo e botar não ter medo de por a cara. A autoestima é a única defesa contra o preconceito. É você olhar no espelho de manhã e dizer: ‘você é um cara a pampa’”, conclui.

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